Jeff Buckley costumava citar com freqüência em suas letras mar, água, rio. Raul Malo, vocal e guitarra do Mavericks, com sua dor de cotovelo incurável, não cansa de mencionar tristeza, choro e decepção. Alex Alves do Automatics(RN) sempre recorre ao tempo, estações do ano e principalmente ao sol causticante de sua cidade Natal, e adapta o clima reinante as mais diversas situações: inexistentes, futuristas e intrigantes.Mais uma vez, no mais recente CD da banda, IN CONTRAST, palco de estréia da nova integrante Christiane Pimenta no baixo, o tempo está presente para citar, inclusive, quadros futuristas, agora, nem tão distantes assim.
O contraste de uma cidade privilegiada por uma via costeira bela, com dunas que lembram desertos ainda mais longínquos de uma memória recente - ou será de um futuro do presente? – à beira de se tornar uma metrópole.
O contraste dos contundentes e cativantes refrões com letras que trazem a destruição natural pelos antinaturais que espreitam como inimigos e agem como tal.
E ainda, por fim, o contraste de ter tão belas imagens ao redor e o desalento no peito, que reina em meio a uma produção crua, sem firulas ou desvios tecnológicos a postos.
“E você sabe? Sabe sobre o que acontecerá amanhã ou depois de amanhã? E o que você tem feito?” About é a faixa que abre o CD. Por algum motivo, que nem a quantidade de sol de um ano inteiro conseguiria explicar, a sonoridade automática alcançou um arquivo tão distante territorialmente: “Dissolver” do Iran. Musicalmente não existe semelhança alguma, apenas a produção sem disfarce reinante em ambos e o fato dos bateristas parecerem o mesmo.
Acordes iniciais remetem a famosa “gostaria que você estivesse aqui”, mas quem escuta os ingleses floydianos? O corte final transformou-se na “tempestade derradeira” (Final Storm). O sol que bate lá, não é mesmo que bate aqui.
Other side of the silence tem a participação especialíssima de Sandro Garcia, mentor da Continental Combo em terras paulistanas que recentemente andou desbravando o litoral nordestino, tocando sua guitarra de 12 cordas.
Ser de lugar algum e não pertencer a nenhum: “Belong to Nowhere” ganhou uma nova versão digna de sua beleza e perdeu a citação dos irmãos da corrente de Jesus e Maria que constava no disco semi-acustic do CD triplo More Senseless. As referências floydianas acabaram.
Seguindo a inspiração da anterior, Radiation traz a tradição do passado com o presente do futuro que a banda mantém em quase dez anos de existência – a realidade é cruel. Existem poucos oásis ao redor e em breve o que não vemos também desaparecerá. De forma inteligente, a letra trata da longa destruição promovida ao planeta, mais um alerta aos tempos atuais. Teremos futuro?
Por fim, uma simples “Miragem” serve de alento. A última esperança está calcada num efeito óptico gerado por uma quantidade de sol além do normal.
7 comentários:
quero ver agora o Boss reclamar que não fizeram uma critica perfeita de um disco do Automaticos...
O albúm até passou a ter mais significado agora... Linda crítica!
uau!!! não sabia que era possível extrair tanta informação de um simples cd...rss
e pelo visto, o café continua fazendo efeito, né? uhuuuuuuuu
brigadão, Olgaaaa!!!
bjuss
Jesuíno: não lembro do Boss alguma vez reclamar disso...
Anne Croner: obrigada! :)
Rique: sim! O café é o mesmo, eu é que não sou mais :-)
Bjs
Que história é essa de baixista?
E Alex está somente cantando?
Quero saber de tudo!
Quero este disco!
Como? Quando e quanto?
Bjs
Anderson, mande seu endereço e enviarei o CD. Bjs
Lis os últimos 4 posts e vi que olga continua mandando bem naquilo que faz melhor, falar de música e cultura alternatomusical.
Continua que isso aí é roquenrol!
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